segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Entrevista: Hammerschmitt

Em 2011, 12 Jenseits Der Stille, não correu muito bem para os Hammerschmitt, mas a banda arregaçou as mangas e voltou às suas origens de uma forma impressionante com dois EP’s – dois volumes correspondentes às duas partes de Born To Rock – em 2013 e 2015. Foi esta a base para este regresso em grande forma num longa-duração que reúne os temas dos dois EP’s. Simplesmente a rockar, os alemães mostram que ainda estão On Fire! O guitarrista Gernot Kroiß falou-nos de tudo isso e até já nos foi adiantando que já há temas novos para um novo álbum a sair em 2017.

Olá Gernot! Antes de mais, parabéns pelos vossos 20 anos de atividade. Como se sentem olhando para trás e vendo tudo o que alcançaram?
Olá! Muito obrigado. Na verdade, a nossa maior conquista é a nossa amizade já que continuamos a ter os mesmos membros na banda – mesmo contando como tempos como Pierrot, que já foi há 30 anos!

E agora de regresso completamente rejuvenescidos e em grande forma com Still On Fire. Como se sentem?
Sentimo-nos ótimos e estamos a divertirmo-nos muito. Não temos - e não queremos - provar nada a ninguém.

Indo um pouco ao passado, o vosso mais recente longa-duração de originais, 12 Jenseits Der Stille, não foi muito bem recebido. O que aconteceu nessa altura?
Perguntamo-nos seriamente o que queríamos alcançar e onde queríamos chegar com a nossa música. Devemos alguma coisa? Estamos obrigados a quê?

O que aprenderam dessa experiência?
Desde 1997 que temos vindo a escrever letras em alemão e particularmente com 12… mais uma vez desenvolvemos todos os esforços. É um grande álbum, mas simplesmente a língua alemã não é popular na cena do metal. É lamentável, mas temos que aceitar.

Mas começaram, a experimentar o Inglês nos dois volumes de Born To Rock, um regresso às origens. Que importância tiveram esses EP’s na carreira dos Hammerschmitt?
Ambos os EP's foram o início real de Still On Fire - estas são as nossas raízes; este é o tipo de música com a qual tudo começou para nós no início da década de 80.

Todas as canções do EP estão agora presentes neste álbum. Foi ideia da editora?
Inicialmente foi uma ideia de Bobby Altvater, que gravou ambos os EP's, mas foi só quando Mario Lochert fez a mistura e a masterização que a Massacre veio ter connosco.

Portanto, este conjunto de canções não é, precisamente, novo. Durante quanto tempo trabalharam nelas?
Uma parte foi gravada em 2013, a outra no final de 2015. A mistura foi feita em junho de 2016. No total, foram 20 dias, acho eu.

Como surge o tema Zombie dos Cranberries neste álbum? É um tema que costumam tocar ao vivo?
Sempre gostei muito dessa música e no ano passado tocámo-la ao vivo pela primeira vez. Inicialmente não estava previsto entrar no álbum, mas depois, simplesmente, não o quisemos fazer sem ela.

E já têm temas novos?
Absolutamente. Estamos ocupados a escrever novas canções e estão a planear um sucessor de Still On Fire para 2017.

Que outros projetos têm em mente para o futuro?
Sim - iremos apoiar os Serious Black na nossa primeira tour europeia como cabeça de cartaz.

Muito obrigado Gernot. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado, foi uma honra para mim – saudamos-te!

domingo, 25 de setembro de 2016

Flash-Review: Caminhos (Pedro Raposeira)

Álbum: Caminhos
Artista: Pedro Raposeira
Editora: Cogwheel Records   
Ano: 2016
Origem:  Portugal                                         
Género:  Pop/Rock, Rock Alternativo
Classificação: 5.5/6
Breve descrição: Músico e designer, Pedro Raposeira inicia a sua aventura musical com um EP de um pop/rock de influências alternativas e deveras elegante. Cinco temas com sequências rítmicas compassadas conduzidas pela guitarra acústica e sempre em português.
Highlights: Caminhos, Tudo Vai Tudo Vem, O Poder de Decisão
Para fãs de: Delfins, Azeitonas, The Beatles, João Pedro Pais, André Sardet

Tracklist:
1.      Caminhos
2.      Tudo Vai, Tudo vem
3.      Já Está na Hora
4.      Vou Sair Daqui
5.      O Poder de Decisão

Line-up:
Pedro Raposeira – todos os instrumentos e programações
Renato Costa – bateria
Diogo Contins – vocais
Cristiana Bento - vocais 

INFO: música não convencional para mentes não convencionais

Every Little Spirit
(MARCUS CORBETT)
O britânico Marcus Corbett tem um novo disco intitulado Every Little Spirit. Marcus é um guitarrista acústico, compositor e cantor que divide a sua base de trabalho entre Marlborough, no Reino Unido e Pune, Maharashtra, India, sendo que, de quando em vez também se desloca para passar algum tempo em Resende, Portugal (aqui bem perto de nós). O facto de passar muito tempo na India fê-lo emergir nos fundamentos da música clássica do norte daquele país. O resultado é uma mistura multicultural na sua world music associado ao som cinematográfico da inclusão, neste trabalho, de violinos e um violoncelo. Um desafio na procura do charme cultural individual e na integridade da música que volta a contar com instrumentos tradicionais indianos – como a tabla. Every Little Spirit abre com Strung Deep, uma remix do tema Castanets presente no EP anterior e que conta com a coprodução de Sam Williams (Supergrass/The Go Team!). Neste trabalho Corbett está acompanhado de Nitin Gaikwad e Sharanappa Guttaragi (tabla), Saylee Talwalkar (vocais), Milind Date (flautas), Anjali Singde-Rao, Sanjay Upadhye e Sachin Ingale (violinos) com a colaboração do virtuoso violoncelista de Oxford, Bruno Guastalla. Every Little Spirit é composto por oito canções que perfazem 59 minutos de puro world music e que liricamente se baseia numa reflexão de como as nossas raízes influenciam toda a nossa vida.

Chromatic Dialogues
(GUSTAVO ASSIS-BRASIL)
O virtuoso guitarrista Gustavo Assis-Brasil tem um novo disco no mercado. Trata-se de Chromatic Dialogues, um conjunto de temas escritos em 2015 e que tiveram a presença de Dave Darlington (vencedor de um Grammy) nos processos de masterização e mistura. Segundo o guitarrista, a ideia para este álbum era combinar diálogos musicais improvisados. O resultado foi um conjunto de momentos espontâneos em que os instrumentos conversam entre si, de forma abstrata e passível das mais diferentes interpretações por parte do ouvinte. Entre outros trabalhos, Gustavo recentemente participou no projeto Mahavishnu Re-Defined – a Tribute to John Mclaughlin & the Mahavishnu Orchestra, tendo, ainda criado a banda sonora do filme brasileiro Manhã Transfigurada. Para além de guitarrista, Gustavo Assis-Brasil tem também três livros de técnica de guitarra já editados. Com o guitarrista colaboram, neste álbum, os seguintes nomes: Tony Grey (baixo elétrico), Vardan Ovsepian (piano e sintetizadores), José Pienasola (baixo acústico) e Mauricio Zottarelli (bateria)

Happy Note Records Sampler 2016
(CHARLES XAVIER)
Charles Xavier, aka The Xman, é um visionário produtor, compositor, músico eletrónico e percussionista com um trabalho eclético marcado pela sua loucura criativa. O seu sexto álbum, Happy Note Records Sampler 2016, é uma compilação que cobre os mais de vinte anos de lançamentos de The Xman, com os contributos de Satori e The Messengers, num registo que inclui géneros como o jazz, eletrónica, new age, reggae e ambient. Um disco que representa, na perfeição, o lema da sua multifacetada companhia discográfica, a Happy Note: Unconventional Music for Unconventional Minds. Uma larga coleção de músicos emprestam o seu talento a esta compilação, sendo de destacar o saxofonista Sam Riney (Freddie Hubbard, Ray Charles, Chaka Khan), o trompetista Warren Gayle (Joe Henderson), o virtuoso baterisa Vinnie Colaiuta (Herbie Hancock, Jeff Beck, Joni Mitchell, Paul McCartney), o percussionista Jackie Bertone (Brian Wilson, Stanley Clarke, Tower of Power), o guitarrista Barry Reynold (Grace Jones, Marianne Faithful, Black Uriah), os baixistas Tony Newton (Diana Ross, Smokey Robinson, Tony Williams) e Steve “Liberty” Loria (Spirit, Tricky), os teclistas Richard Larsen (Berlin, Erasure, Atomic Clock) e Hayden Clemente (Huey Lewis, MC Hammer) e a harpista Carol Robbins (Billy Childs, Jose Feliciano).

Layers
(ON DOLPHIN)
Layers é o nome do trabalho de estreia do coletivo de San Francisco On Dolphin, banda liderada pela vocalista Melissa Lyn. Lançado a 22 de julho, Layers é descrito como indie rock para pessoas curiosas e esperançadas. Isto porque neste trabalho a banda desenvolve ideias que vão desde a curiosidade e experimentação até às crenças e conhecimento.  Tudo isto tendo em vista a procura do conforto da família e da comunidade. Melissa tocou durante anos como solista em formato acústico até que se aventurou na guitarra elétrica com o seu marido, engenheiro e produtor Ryan Clark no que originou os On Dolphin. Musicalmente, Layers varia entre um rock direto do tema de abertura More Good Days até às dinâmicas orquestrais de New York ou Layers, passando pelas paisagens de sonho com base de drum beat de Dance In The Kitchen. Para além de Melissa Lyn (vocais e guitarras) e do seu marido Ryan Clark (bateria), os On Dolphin contam ainda com Anderai Maldonado (baixo) e Nathan Dennen (teclados e pianos)

The Curved Air Rarities Series Volume 1/Tapestry Of Propositions
(CURVED AIR)

Tapestry Of Propositions é o primeiro volume da Curved Air Rarities Series dos Curved Air. Este primeiro volume é um álbum ao vivo com uma hora de duração apresentando as diferentes versões do tema Propositions, com uma dúzia de improvisações que agora são apresentadas todas reunidas. Todas reunidas e de forma contínua, criando uma sensação de repetitividade exasperante. Este tema, diz a vocalista Sonja Kristina, já é tocado pela banda há mais de 40 anos, sendo que o corpo principal do tema permite bastante liberdade, pelo que em cada noite era tocado de uma forma diferente, variando com o momento. Este CD serve, também, para capturar e mostrar a veia inspiradora e criativa dos britânicos. Nesta gravação, os Curved Air são: Sonja Kristina (vocais apenas nos temas 1 e 17), Florian Pilkington-Miksa (bateria), Kirby Gregory (guitarras), Chris Harris (baixo), Robert Norton (teclados) e Paul Sax (violino). A edição é da Cherry Red Records. O interesse da mesma é altamente duvidoso.

sábado, 24 de setembro de 2016

Notícias da semana

Rui Vieira (voz/guitarra) e Hélder Rodrigues (bateria) (dos Machinergy) acabam de terminar uma curta-metragem intitulada A Bruxa d'Arruda. Arruda dos Vinhos é a vila onde Rui e Hélder vivem e cresceram e esse lugar tem a lenda mais conhecida e misteriosa sobre uma bruxa em Portugal. Chamam-lhe a Bruxa de Arruda. Alguns acreditam, outros não, como é sempre apanágio neste tipo de histórias. Com este material precioso em mãos, decidiram forjar uma história, mas não uma normal e previsível. O resultado é perturbador, negro e com uma aura sobrenatural. A Bruxa d'Arruda irá estrear muito em breve (outubro 2016) em Portugal. A Bruxa d'Arruda tem cerca de 10 minutos de duração e uma grande mistura de cores e tons. O filme foi rodado em 4 dias seguidos em vários locais de Arruda dos Vinhos e arredores. O trailer já está disponível, bem como a Banda Sonora Original.


Os brasileiros Almah, liderados por Edu Falaschi (ex-Angra) lançaram esta semana o seu novo trabalho intitulado E. V. O. via Test Your Metal Records. A distribuição na Europa está a cargo da Pride & Joy Music e no Japão da King Records. Este quinto trabalho dos Almah foi gravado em S. Paulo nos IMF Studios. O tema Age Of Aquarius já pode ser ouvido aqui.



Fight é novo vídeo retirado do mais recente disco dos Seven, Shattered, lançado a 23 de setembro via Escape Music. Este novo tema foi coescrito pelo bem conhecido Jeff Paris (Mr. Big, Vixen, Y & T, Paul Stanley).



Good Morning Apocalypse é o título do trabalho dos Heaven Below que tem data de lançamento prevista para 14 de outubro via EMP Label Group. Um trabalho do melhor nível do hard rock americano, que os levou a serem já considerados como os novos Guns n’ Roses. Podem ir confirmando isso no vídeo do tema Renegade Protest Movement.

Searching For The Spark é o título da caixa a ser lançada brevemente que inclui 22 álbuns de Steve Hillage. Uma caixa, verdadeira obra de coleccionador, que percorre toda a carreira do brilhante guitarrista britânico. Para além dos trabalhos conhecidos, Searching For The Spark ainda inclui para cima de 40 minutos de material nunca antes disponibilizado entre outras raridades e peças de coleccionador. Um vídeo promocional pode ser visto aqui.


Os membros do prog trio This Oceanic Feeling, continua a promover o seu trabalho de estreia, Universal Mind. Para isso, a banda acaba de lançar, em formato digital, o seu segundo single retirado deste álbum, I Play Debussy que pode ser descarregado aqui. Entretanto, a canção Put Down The Gun está nomeada para o Anthems Award nos Prog Awards 2016.



Quem é Mr. Gallini? É Bruno Monteiro, baterista do avassalador quarteto rock and roll luso Stone Dead e o que Mr. Gallini propõe é um vislumbre a um imaginário particular com sons que emanam da sua mente como uma espiral de referências musicais de tempos idos onde o relógio pára e o tempo se dilui. Neste seu projecto a solo, o alter ego de Bruno Monteiro pode igualmente ser descrito como calmaria idílica Psych harmonioso à beira mar em contraste com o acelerado dia a dia de quem não quer ceder a crescer e deixar para trás o charme, a inocência e a criatividade quasi-infantil que tantos de nós perdem com o passar dos anos.


O percurso dos Cave Story ficou desde cedo definido, confundindo-se com as suas intenções bárbaras de avançar no panorama pop com a desenvoltura do post-punk e a energia incontida do indie rock: é em direção à infame revolução em que dançar é condição inegociável. Editadas as primeiras aventuras discográficas em formato EP, o trio das Caldas da Rainha prepara-se para se estrear no formato longa-duração com West, registo onde desbravam refrães com a urgência do rock sem pôr de lado a doçura pop que nos agarra e envolve em eletricidade. A primeira amostra chega-nos na forma de Body Of Work.


Chasing Rainbows é o álbum que os finlandeses Wishing Well lançaram, já este ano, a 5 de fevereiro pela Inverse Records. Depois do primeiro vídeo para a faixa Science Fiction, o coletivo acaba de lançar mais um vídeo, desta feita para a quinta canção Luck Is Blind.




A Valery Records e a V-Promotion anunciaram o lançamento do álbum Bloop dos Acid Muffin. Os Acid Muffin são um power trio que toca rock melódico e experimental claramente inspirado pelo grunge dos anos 90. Bloop sucede ao EP Nameless editado em 2013 e a uma forte atividade ao vivo no seu país natal, sendo lançado a 28 de outubro.



Os Fingertips estão de volta aos palcos portugueses, com concertos no Estúdio Time Out e na Casa da Música, em novembro, integrantes da Constellation Tour. Nos últimos tempos a banda nacional tem trabalhado com Mark Needham (Imagine Dragons, The Killers, Fleetwood Mac) nas novas canções que estão a ser gravadas no The Ballroom Studios e no East West Studios em Los Angeles.



Os Parallel Minds juntaram-se ao estúdio Piranaking e o resultado é uma nova canção. Chama-se Last Fight e será utilizada no seu primeiro videogame. O tema pode ser ouvido e descarregado no bandcamp dos franceses.




Nome incontornável do rock progressivo e voz única, Jon Anderson vê agora a sua estreia conceptual em DVD, Tour Of The Universe, originalmente lançada em 2005, ser relançada com áudio digital.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Entrevista: Tempt

São apresentados como os Van Halen da nova geração. Ainda será cedo para se avançar com uma afirmação com tanto peso, mas o certo é que os miúdos Tempt se estreiam com Runaway de uma forma impressionante. De tal forma que até foi o lendário Michael Wagener quem masterizou o álbum. E o furor em torno deste coletivo nova-iorquino tem sido tanto que quisemos conhecer os mentores. Fiquem então com as impressões de Harrison Marcello (guitarras) e Zach Allen (vocais).

Viva, como estão? Jovens na idade, jovens como banda, mas já a criar um enorme burburinho em torno da banda. Como se sentem?
Harrison Marcello (HM): Hey! Estamos muito bem. Estamos, obviamente muito animados com a grande resposta que o disco está a ter. Sentimo-nos muito bem quando estávamos a gravar, mas nunca se sabe, até ser lançado, se as pessoas o vão ouvir.
Zach Allen (ZA): Estamos animados que as pessoas estão a procurar o disco e também estamos animados que isso vai permitir-nos sair e tocar ao vivo para essas pessoas.

Contem-nos como nasceram os Tempt e quais os objetivos que estão a tentar alcançar.
ZA: Eu trabalhava com o compositor e produtor Jack Ponti. Ele era o meu mentor e a determinado ponto sentiu que realmente precisava de um parceiro musical da minha idade. Ele imaginou uma parceria como The Glimmer Twins ou Page/Plant, Tyler/Perry etc. Viu vídeos de Harrison no youtube e disse "é este o miúdo". Descobriu-se que ambos vivíamos em Nova York e até tínhamos um monte de amigos em comum.
HM: Era surpreendente que nunca nos tivéssemos visto antes. Depois de Jack nos ter apresentado (obrigado Jack!), começamos a escrever juntos e as coisas funcionaram. Acabamos por compor 10 canções em cerca de 4 meses. Trabalhamos de uma maneira muito disciplinada, porque tinha começado a faculdade no Boston Conservatory e vinha apenas aos fins-de-semana para trabalhar com Zach. Começamos apenas com um objetivo que era escrever e tocar música rock. Queríamos que tivesse guitarradas, melodias muito fortes e killer vocals.

Depois de um EP, Under My Skin, este é o primeiro longa-duração, Runaway. Como definiriam este disco?
ZA: O EP foi parte da gravação original do disco. Fizemos um número muito limitado para nos ajudar a financiar uma tournée que fizemos nos EUA para um grande festival chamado Rocklahoma. Runaway é o nosso içar da bandeira do rock and roll para a nossa geração. Gostamos de todos os tipos de música, mas quantas vezes podes assistir a um DJ acenar as mãos no ar? Queremos trazer essa arrogância que é o rock and roll de volta e nós adoramos isso.
HM: O álbum completo é a nossa declaração criativa. É o resultado de muito trabalho duro e muita diversão e captura onde estávamos musicalmente naquele momento. Sentimos que é um álbum realmente coeso e estamos orgulhosos disso.

Um álbum misturado por Michael Wagener... Foi uma honra! Foi fácil trabalhar com essa autêntica lenda viva?
HM: Tínhamos terminado o álbum e nosso produtor, Tag, estava à procura de potenciais misturadores. Ele e o seu parceiro já tinham misturado algumas músicas, mas queriam experimentar com outras pessoas para ver o que resultaria. Contactaram o Michael, ele gostou das músicas e concordou em trabalhar com ele. Fizemos tudo remotamente. Enviamos-lhe as faixas e ele enviou as misturas. Ouvíamos, fazíamos comentários e ele revia. Foi muito simplificado, mas nunca o conheci até muito tempo depois do disco estar pronto.
ZA: Conhecemos Michael em Nashville e tivemos a oportunidade de ir ao seu estúdio e de comer com ele sushi no seu sítio favorito. Ouvimos grandes histórias. Também tivemos Mario McNulty que tinha trabalhado nos últimos álbuns de David Bowie a misturar algumas das canções. Juntos fizeram um disco com um grande som. Michael também masterizou o álbum o que, naturalmente o tornou mais coeso.

Acredito que vos tenha dado alguns conselhos... Querem compartilhar algum?
HM: Enquanto esperávamos em Nashville, contou-nos muitas histórias e também falou de alguns guitarristas com quem havia trabalhado e como alguns estavam tão envolvidos com eles mesmos que nunca olhavam para o público, especialmente durante os solos! Nessa noite, ele foi ver o nosso espetáculo e em cada solo eu fazia questão de estar sempre a olhar para ele e não para a minha guitarra! Michael é impecável e estamos ansiosos por trabalhar com ele novamente.

Grandes têm sido as primeiras críticas. Sinceramente, esperavam tal?
ZA: Sabíamos que potencialmente havia público para a nossa música, só tínhamos que encontrar a melhor maneira de aproveitar isso e colocar a música lá fora. Tínhamos uma ideia de que o que tínhamos feito era muito bom porque tínhamos visto como Derek Oliver respondeu quando ouviu pela primeira vez e certamente estamos orgulhosos do disco. Sendo o primeiro lançamento de uma nova banda no Rock Candy é realmente especial para nós.

E como têm lidado com isso? Mais pressão, mais responsabilidade...
HM: Como disse Zach, Derek gostou da nossa música. Ele sentiu a energia juvenil e a vibração que trouxemos. Somos fiéis a nós mesmos e à nossa visão da música. Também fomos pacientes em encontrar os parceiros certos na Rock Candy para o lançamento. À medida que avançamos, simplesmente tentamos manter essa mesma mentalidade. Continuamos a acreditar no que fazemos e a afastar as distrações. Da maneira como o negócio está atualmente, não vai ser um caminho rápido para o sucesso. Vamos ter muito trabalho árduo mas estamos prontos! Portanto, não estamos a sentir pressão. Vamos ficar a sentir-nos bem.

Quais são os próximos passos para os Tempt? Em que estão a trabalhar?
HM: Já escrevemos e começamos a gravar demos para o álbum número dois, por isso estamos animados e energizados. Também estamos muito animados com a ida ao Reino Unido e, possivelmente, à Europa para alguns espectáculos, neste outono. Os fãs vão ouvir um set que contará com faixas do álbum, bem como algum material novo. Portanto, estamos prontos para rockar, malta!

Muito obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
ZA: Obrigado! Obrigado a todos os fãs que nos têm apoiado. Tem muito significado receber e-mails e mensagens no Facebook de apoio. Também tem um grande significado fazer entrevistas como esta que são muito importantes no sentido de podermos espalhar a palavra. Portanto, um agradecimento a ti, também. Se ainda não o fizeram, pedimos a todos os nossos fãs para comprar o CD físico!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Playlist Via Nocturna 22 de setembro de 2016


Review: As You Were (Elijah Ford & The Bloom)

As You Were (Elijah Ford & The Bloom)
(2016, Independente)
(5.2/6)

Para quem não está familiarizado com o nome sempre informamos que Elijah Ford é filho de Marc Ford, antigo membro dos Black Crowes e aos 17 anos já andava em tournée com o pai nos Fuzz Machine. O jovem aprendeu, cresceu e eis que junta os The Bloom, banda que o acompanha neste registo As You Were, terceiro trabalho após o álbum Upon Waking (2011) e o EP Ashes (2012). Quatro anos foi, então, o tempo que separa As You Were do seu mais próximo lançamento e que resulta num disco médio, sem grandes rasgos, de audição fácil, é verdade, mas soando um pouco ao mesmo. Voltado um pouco para a pop e para as ondas radiofónicas de uns Coldplay, por exemplo, As You Were tem, ainda assim, alguns momentos interessantes, nomeadamente ao nível das harmonias vocais e alguns arranjos um pouco mais minimalistas. Por outro lado, registam-se algumas referências ao pop rock 60’s com The Beatles a surgirem a espaços no horizonte. Outras variações surgem, interessantes pela inclusão, mas sempre de reduzido impacto. O órgão surge muitas vezes sempre de forma tímida, assim como o soul em Say The Words, ou country em If Not Today. Curioso é um tema como Hollow Years, dos pontos mais altos, a soar como se os U2 tivessem nascido… sulistas. Mas o destaque maior, o ponto mais alto apresentado por Elijah Form & The Bloom surge em Relief. Som sujo, arrastado, sinistro a desenvolver-se numa espiral atmosférica verdadeiramente hipnótica. Diríamos que só estes dois temas (Hollow Years e Relief) justificam quase 70% da classificação num disco que, como se percebe, tem bons momentos mas não consegue manter esse nível elevado, vivendo demasiados altos e baixos.

Tracklist:
1.      Try As You Might
2.      The Way We Were
3.      Say The Words
4.      Blessed
5.      Black & Red
6.      Hollow Years
7.      Daggers
8.      If Not Today
9.      Relief
10.  Faltering

Line-Up:
Elijah Ford
Alexander Lynch
Chris Konte
Ryan Bergeron

Internet:
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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Entrevista: CousCous

Ideia genial – de braço dado música e romance desenvolvem-se num álbum Tales e num livro A História do Menino que Tinha Borboletas no Estomago. A ideia foi criada pelo duo Tine Schulz (vocais) e Moritz T. Eßinger piano e guitarras), os CousCous. Falamos com o duo para perceber melhor toda a extensão desta obra sensacional.

Olá! Podem apresentar os CousCous aos portugueses?
Olá Portugal! Somos os CousCous de Dresden, Alemanha. Juntamo-nos os dois em 2011 e instantaneamente aconteceu magia. Imediatamente começamos a escrever música juntos, e apenas um ano depois gravamos nosso primeiro CD, Paper Tiger. Muita coisa aconteceu desde então, e acabamos de lançar o nosso segundo álbum, Tales.

Tales é mais do que uma simples viagem musical. Podem explicar em que consiste esta criação?
O título Tales diz tudo - é um álbum a respeito de contar histórias. Por isso pensamos: nós não queremos apenas colocar o CD numa caixa de plástico com um booklet fino. Na realidade, queremos contar um conto. Por isso, escrevemos um romance para ser apresentado junto com a música. A História do Menino que Tinha Borboletas no Estomago fala-nos de um menino que vive num mundo desprovido de sentimentos, e da sua jornada para encontrar as emoções ausentes.

Portanto, há um conceito real por trás de tudo o que ouvimos?
A novela e a música cresceram juntos durante um período de aproximadamente um ano. Falávamos sobre as aventuras do menino neste mundo estranho, o que iria desencadear a ideia para uma nova canção. Ou estávamos a escrever uma música e, de repente, víamos uma cena que queríamos que aparecesse no livro. Portanto, sim, tudo está ligado. Mas não é um musical - os laços entre as letras das músicas e o livro estão lá, mas nem sempre literal ou mesmo corajosamente aparente.

Verdadeiramente uma incrível mistura entre música, cinema e literatura?
Há algum tempo atrás pensávamos sobre quem seria essas pessoas que vinham aos nossos concertos ouvir a nossa música. Descobrimos que, sendo velhos ou jovens, onde quer que as suas paixões se encontrassem ou independentemente da sua origem, havia um elemento comum. É que eles se abriam e sentiam a música. Assim como fazemos quando estamos escrever ou a tocar canções. Isso é basicamente o núcleo de Tales – dar-te uma oportunidade de desenhares com todos os sentidos.

Este álbum tem sido descrito como sendo genialidade pura. Como reagem a isso?
Tales tornou-se muito bonito. Mas não é apenas o nosso trabalho - nós, enquanto compositores, certamente, fomos a força motriz por trás de tudo, mas todos os envolvidos deram o seu melhor. Os músicos de estúdio, os engenheiros de produção e de áudio, o fotógrafo, o layouter e, claro, Anemone, o nosso ilustrador - todos eles deram a Tales muito mais do que lhe havíamos pedido. Foram todas essas contribuições combinadas que levaram a esse resultado fantástico.

A verdadeira filosofia de que menos é mais, certo?
Temos uma política rígida sobre o que usar nas gravações: apenas instrumentos reais e músicos reais. Queremos manter-nos focados no que a música realmente precisa, em vez de simplesmente adicionarmos sintetizadores para engordar o som. Por outro lado, para algumas músicas queríamos aquele som rádio pop. Começamos a experimentar com vocais polifónicos o que, realmente, forma o som caraterístico de todo o álbum.

Assim sendo, de que forma descreveriam Tales?
Para nós, é uma aventura - e gostaríamos que os nossos ouvintes ou leitores embarcassem na sua própria viagem ao mundo dos contos.

Para terem obtido esse som mágico esteve tudo a vosso cargo ou contaram com alguns convidados?
A visão principal foi sempre nossa, mas o nosso coprodutor Peter Junge contribuiu bastante para o som final. Também tivemos, penso, que nove músicos em estúdio (bateria, baixo, cordas, metais) que também tiveram diferentes graus de input criativo.

Como foi a experiência de gravação desta obra?
A gravação de Tales foi, ela própria, um conto de fadas. O estúdio foi criado num verdadeiro castelo medieval situado numa colina e vivemos lá durante um mês. Como era verão, a maioria dos dias trabalhamos até tarde, apreciando o ar fresco da noite e o sossego do campo entre as gravações.

Próximos passos para os CousCous?
Agora andamos animados com o lançamento do primeiro vídeo. Nos próximos meses estaremos em tournée por toda a Alemanha, que é realmente emocionante. Mais tarde, em 2017, estamos a planear uma visita a alguns países europeus - quem sabe, não iremos a Portugal. Seria fantástico!

Mais uma vez, muito obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado por nos convidares para essa entrevista. Estamos ansiosos por te conhecer quando tocarmos em Portugal.